quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Tropa de Elite

Pessoal,
Convido todos a ouvir essa gravação do Aqui Pod, o meu podcast. Espero que esse programa seja um convite à reflexão sobre o "Tropa de Elite".





Abraços!

domingo, 30 de setembro de 2007

Meu ideal seria escrever...

Esses dias eu estava lendo um belo texto do Rubem Braga chamado "Meu ideal seria escrever..." e pensei: "Esse deveria ser o ideal de todo jornalista, eu gostaria muito de seguir esse ideal..."! Então resolvi postar aqui, para analisarmos...o jornalismo atual tem esse objetivo? Ou é um jornalismo que não objetiva a melhoria de vida dos leitos, e sim mais anunciantes?
Ai vai o texto...

Meu Ideal Seria Escrever...

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

Rubem Braga

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Quer mudar isso? Então aja!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma morte

O presidente do Senado Renan Calheiros foi absolvido pelos seus próprios colegas no caso em que era julgado seu envolvimento para lá de estranho com uma empreitera. Por mais tentadora que possa parecer essa conclusão, Renan não venceu. Não venceu ele, não venceu o Senado, não venceu o povo, enfim, não venceu ninguém.
Calheiros ainda enfrentará um longo calvário – que pode se estender até o fim do ano – e terá pelo menos mais duas oportunidades de ser cassado. Talvez renuncie à presidência por não ter mais a mínima condição de permanecer no cargo que comanda os destinos do Poder Legislativo Nacional. Continue ou não no cargo que sempre foi sua ambição, Renan tornou-se um Senador fraco. A vitória de ora, é apenas uma vitória de Pirro, que poderá se reverter, ainda em breve em uma derrota muito mais ruidosa. O fato de ter conseguido continuar vivo mesmo depois de meses de sangria não quer dizer que o senador alagoano seja forte. Significa apenas que alguns setores acharam vantajosa a idéia de manter vivo por mais algum tempo um personagem sempre controvertido da vida nacional apenas para desviar a atenção de outros casos ainda mais ruidosos do que a pensão de Mônica Veloso.
Há aqueles que dizem que Renan só não foi cassado porque era de interesse do Poder Executivo que ele tivesse uma dívida de gratidão com os governistas, de modo a facilitar a aprovação da CPMF. Sinto em informar, mas por mais oposicionista que eu seja, isso é apenas balela! Renan é governista de carteirinha e não precisaria de nenhuma dívida com o governo para ajudar na aprovação da CPMF. Além disso, é sabido que o governo Lula nunca teve facilidade para construir maioria no Senado. Como agora, justamente em um momento extra-delicado daquela casa, conseguiria? É estranho.
A votação secreta, como diria a velha raposa mineira Tancredo Neves, faz com que os políticos profissionais tenham uma vontade danada de trair. Tancredo realmente estava certo. Todos os 40 senadores que votaram pela absolvição de um homem cuja culpa está mais do que comprovada são traidores. Traidores do povo que os elegeu. Traidores da pátria.
Concluo esse texto com uma frase dita pelo deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) pouco antes da absolvição de Renan que resume tudo o que penso sobre o processo contra o alagoano: “Eu sei que nesta quarta-feira, quando o plenário do Senado votar pela cassação ou não do senador Renan Calheiros, vai haver uma morte. A morte política do próprio Renan, ou a morte política do Senado”.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Imprensa maldosa?

Eu estava ouvindo a rádio Jovem Pan AM no final de semana passado, quando ouvi uma notícia que me deixou pensativo. Ela dizia que o presidente Lula estava no Rio e, acompanhado do governador Sérgio Cabral, estava tentando incetivar a votação para que o Cristo Redentor seja considerada uma das "7 maravilhas do mundo", quando um repórter pede para o presidente abrir os braços e imite a estátua, até o governador o incentiva a fazer isso, mas Lula nega. A explicação para a recusa é que a imprensa é capciosa, ele afirma que provavelmente as notícias do dia seguinte teriam o seguinte destaque: "Lula se compara a Jesus" ou alguma coisa nesse sentido.
Lula não é o primeiro a fazer tais insinuações sobre a imprensa.
Agora, me pergunto e proponho a seguinte reflexão:
A imprensa realmente é tão "maldosa" ou é apenas medo/maldade dos entrevistados?
Acredito que quanto mais chocante a imagem, o título, melhor, mas pedir para que ele faça a pose para tripudiar em cima disso?
O que vocês acham?

terça-feira, 5 de junho de 2007

“A grande imprensa está do lado do governo”

Na última semana estive na Universidade de São Paulo, no campus do Butantã, Zona Oeste de São Paulo, entrevistando o estudante João André, 27 anos, natural de Campinas, que cursa Letras, está no quarto ano e encabeça a ocupação da reitoria.
A entrevista foi realizada para o terceiro trabalho deste bimestre do professor Celso Unzelte, mas creio que cabe aqui uma boa discussão quanto ao papel que a imprensa vem desempenhando na cobertura da greve e da ocupação da reitoria “uspiana”.
Não quero defender os estudantes, mas indo à maior universidade brasileira percebi a organização existente na reitoria - inclusive os telefones são atendidos com a frase “ocupação da USP, boa tarde” -, retrato bem oposto ao veiculado na mídia, que classifica os estudantes como vândalos e bandalheiros que estariam “quebrando tudo”.
Sobre o assunto, João afirmou que “esse tipo de cobertura da mídia objetiva disfarçar e desviar a atenção das reivindicações dos alunos, porque, na verdade, foram organizadas na reitoria várias comissões para que as coisas possam funcionar”.
Ainda segundo suas palavras, “a imprensa dá aval para confundir a opinião pública, quando poderia discutir seriamente os problemas”. Encerrando a entrevista, uma frase de impacto me chamou a atenção: “a grande imprensa, burguesa, está do lado do governo. Então ela está exercendo um papel para o governo.”.
Penso que, entre barricadas, protestos e assembléias, existem dois lados distintos entre os estudantes da USP: um, sim, que peca pelo exagero e assume propostas agressivas para tentar forçar a reitoria e o governo a aceitar suas reivindicações; parece claro que é esse o lado que a imprensa mostra.
Porém, uma boa parte dos grevistas (para não dizer a maior) está disposta a realmente discutir com as autoridades, sem violência ou uso de força, e esse lado a mídia faz questão de ignorar.
Assim, saí da Universidade de São Paulo com uma pergunta, e neste texto eu a proponho aos colegas: será que o papel aqui mostrado é realmente aquele que a imprensa brasileira, teoricamente imparcial, deve exercer?

sábado, 26 de maio de 2007

A busca pela felicidade??

Durante o mini-seminário do Grupo 3, apresentado na última quinta-feira e que apresentou como tema a esquerda brasileira, uma frase da secretária de Formação Política do PT Angélica Fernandes me chamou muita atenção e me levou a uma profunda reflexão. Segundo ela, o objetivo maior da esquerda é a busca pela felicidade.

De fato, eu me considero um cara com idéias mais à esquerda e busco a felicidade. Todavia, do mesmo modo, conheço muitos direitistas que, apesar disso, não têm como sonho para sua vida a tristeza. Os modos de chegar à tal felicidade podem ser diversos, mas todo caminho é válido – obviamente, desde que não prejudique ninguém.

Se dizer de esquerda ou de direita é algo muito genérico. Tentar encontrar definições para esses termos, muito complicado. O que não devemos é buscar fazer a nossa opção de vida parecer a mais poética e esquecer, por conta disso, de dar substância à nossa fala.

Buscar e permitir buscar a felicidade independente de ideologia política. Esse é o primeiro passo para quem coloca acima de qualquer ideologia uma palavra que aparece fácil em qualquer discurso, mas com dificuldades nas ações de nossos governantes: DEMOCRACIA.